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  • Carlos Sperandio

Paul McCartney é Cringe?



Vivemos uma época de celebração da igualdade.

Várias "minorias" vêm tentando, a duras penas, equilibrar seus direitos de ir e vir, de falar e ser escutado.

Mesmo com mais de 100 anos do fim da escravidão, um dos períodos mais cruéis da humanidade, os afrodescendentes ainda lutam por mais direitos numa sociedade ocidental extremamente racista, com uma dificuldade absurda no equilíbrio social. As mulheres - em quase todo o mundo por meio da chamada revolução feminista - conseguiram direitos civis, embora ainda vivam com diferenças salariais injustificáveis, dupla função no binômio trabalho-casa e uma fragilidade de gênero que os números de abusos e feminicídios estão aí para provar como somos coletivamente falhos.

Mais recentemente, a comunidade LGBTQIA+ vem conseguindo melhores cenários em relação a décadas passadas, mas ainda assim longe de ter uma relação justa com o segmento conservador, além de sofrer ainda mais com a falha coletiva de falta de respeito ao ser humano.


Poderia elencar vários outros grupos que sofrem algum tipo de preconceito, mas gostaria de me focar numa minoria em especial precisa começar a ser considerada vítima do apontamento desse dedo social. Um segmento da sociedade que só cresce. Uma parte da população que todos almejamos um dia estar. Sim, estou me referindo aos idosos e a maldita discriminação que sofrem.


O nome da praga é idadismo ou etarismo, derivado do original inglês ageism - o preconceito de idade.

Ele está em todos os lugares e a maioria das pessoas não o vê.

Exemplo de hoje que me motivou a escrever essa postagem:

Jovens, mais respeito. Não porque estamos falando de uma lenda viva. Do último Beatle. De um Sir. E, sim, porque Paul é uma pessoa como eu e você, que pode usar o que ele quiser. Seja um filtro de instagram, seja fazendo dancinha de TikTok, seja cantando ao vivo para milhares de pessoas como você e eu jamais faremos. Cringe, crianças, são vocês dessa nova geração que insistem em rotular tudo para depois querer dizer que somos todos iguais. Chegaremos, graças aos esforços das ciências, aos limites biológicos de nossas vidas. Estima-se que a expectativa de vida gire em torno de 100-120 anos, se houver cuidado correto frente às causas evitáveis de morbimortalidade como traumas, doenças infecciosas e de origem comportamental. O que torna a chamada terceira idade a mais longa de todas. Corroendo sistemas previdenciários e implorando por uma legislação que melhor defenda essa classe - que talvez por direito a voto facultativo - parece não importar para quem está no comando. Mesmo sendo constituída na maioria por pessoas de mais idade...


O governo é reflexo de sua sociedade ou seria o contrário? Independente do lado da matrix, é hora de apresentarmos respeito por todos, até mesmo para aqueles que estão mais perto do fim da vida.

Concluo lembrando que arremessar do abismo já não é mais opção desde os dinossauros: (nada mais cringe que uma referência de 30 anos atrás rs)


Para saber mais do assunto: Texto de Patrícia Novais Calmon, advogada sobre Cringe e os aspectos geracionais.

Vídeo do canal O que Rola na Geronto - "Você é Cringe?":

Comentem o que vocês andam vendo de etarismo / idadismo por aí! Vamos começar a fazer barulho e levantar a bandeira de que todas as vidas importam, independentemente de quantos anos elas ainda tenham pela frente!


E para você, meu jovem de alma Paul, minha referência.



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