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  • Carlos Sperandio

Omicron e você: o que esperar

Aviso aos navegantes: texto criado por mim frente aos fatos que tenho acesso até o dia 13 de janeiro de 2022. Se tem uma coisa que aprendemos com o covid-19 é que não há certezas. Mais um motivo para que tenhamos sempre respostas adaptativas rápidas!


Fato: essa variante é de longe o vírus mais contagioso que se tem notícia na história médica mundial. Estamos vivendo não uma onda, mas um verdadeiro tsunami de casos. A chance de você pegar é enorme. Não importando muito o que você faça para evitar. Basta conviver com pessoas.


Conclusão: não importa muito para onde você corra, sua chance de pegar a variante omicron é alta e você tem que começar a se acostumar com isso.


Fato: para cada caso confirmado por exames, existem vários não confirmados por falta ou de matéria-prima, ou de dinheiro para pagar um exame ou de vontade do contaminado de ir fazer, pois um enorme número de casos apresenta um quadro clínico bem simples. Os sintomas se resumem a dor de garganta importante, tosse discreta, fadiga e, em crianças, febre.


Conclusão: o omicron é que nem barata na sua cozinha. Se você viu uma, a chance de ter pelo menos mais umas 7 escondidas é enorme. A doença é familiar. Estamos vendo todos de uma família positivando - isso quando todos resolvem fazer o exame. A maioria, no entanto, praticamente não apresenta sintoma algum. São portadores assintomáticos.


Fato: na nossa cidade, Curitiba, estamos apresentando números de internações em proporção infinitamente menor do que as vistas com as outras cepas de coronavírus. Muito disso se deve à vacinação prévia associada à baixa agressividade desta cepa, embora ao olharmos outros países, o omicron não pareça tão inocente assim. Meu público, os idosos, estão com quadros bem suaves. Seria a coronavac mais uma vez a grande vacina para todas as cepas até agora?

Conclusão: a vacinação é ferramenta importante ao tornar a doença mais amena. Necessário salientar que quem não se vacina, por motivo qualquer, está correndo riscos de contrair a doença na forma mais grave. Agora devemos ter muito cuidado em taxar os não vacinados de arautos do apocalipse. A maioria da população irá contrair a omicron. E isso independe de estar ou não vacinado. A absoluta maioria da população que contrair o omicron desenvolverá doença amena. E isso tem tudo a ver com a vacina.


Fato: estamos afastando todo mundo compulsoriamente - inclusive com ameaça de multa - que apresenta sintomas respiratórios. Isso levará ao caos os sistemas de atendimento que não podem parar, principalmente os hospitais. Esse afastamento não impede que os portadores assintomáticos ou em início de doença transmitam. Continuamos com grandes aglomerações na cidade, desde os coletivos até as baladas, shoppings e etc.


Conclusão: estamos tratando a omicron como se fosse as outras cepas de covid-19. Isso parece ser um erro, porque claramente se trata de outra doença. Muito mais amena, parecidíssima com um resfriado comum na população vacinada. Afastar todos não impedirá o contágio. Como não há um número excessivo de internações, não há motivo de isolamento para diminuirmos a pressão da porta (leitos insuficientes). É necessário rapidamente rever a política de afastamento.


Fato: as pessoas estão sobrecarregando os serviços de urgência e emergência muito mais buscando atestados e receitas de remédios para sintomas do que pela dificuldade respiratória. Estão procurando os serviços de emergência pelo medo do que foi dito anteriormente. Conclusão: dor de garganta, febre baixa que responde a antitérmico, dor no corpo não são motivos para desespero. Existem recursos para teleatendimento. Hoje a maioria dos sintomas mais graves do omicron é causada pelo elefante chamado medo que senta em cima do peito de quem tem o exame positivo. A busca pelo atendimento presencial, anteriormente mandatória pela falta de ar, hoje é indicada para aqueles com sintomas mais importantes. É possível ser triado por telemedicina ou por visita médica em domicílio. Os centros de atendimento não conseguirão lidar com a demanda em poucos dias. Pelo aumento do número de casos associado ao número de afastamentos dos profissionais de saúde.


Carlos Sperandio Médico Geriatra +55 41 999792120 @drcarlossperandio




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