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  • Carlos Sperandio

O Velho Samurai

Conta-se que, perto de Tóquio, capital do Japão, vivia um grande samurai.

Já muito idoso, ele agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, apareceu por ali um jovem guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos. Era famoso por usar a técnica da provocação.


Utilizando-se de suas habilidades para provocar, esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de inteligência e agilidade, contra-atacava com velocidade fulminante.


O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.


Assim que soube da reputação do velho samurai, propôs-se a não sair dali sem antes derrotá-lo e aumentar sua fama.


Todos os discípulos do samurai se manifestaram contra a ideia, mas o velho aceitou o desafio.


Foram todos para a praça da pequena cidade e diante dos olhares espantados, o jovem guerreiro começou a insultar o velho mestre.


Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu sereno e impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado calado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram:


Como o senhor pôde suportar tanta indignidade?


Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?


O sábio ancião olhou calmamente para os alunos e, fixando o olhar num deles lhe perguntou:

Se alguém chega até você com um presente e lhe oferece mas você não o aceita, com quem fica o presente?

Com quem tentou entregá-lo, respondeu o discípulo.


Pois bem, o mesmo vale para qualquer outro tipo de provocação e também para a inveja, a raiva, e os insultos, disse o mestre.


Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo.


Por essa razão, a sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, se você não o permitir.



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