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  • Carlos Sperandio

Knock knock, lockdown!

Curitiba, 18 de julho de 2020.

Véspera de um possível lockdown determinado pelo Ministério Público em Curitiba.


Um breve raciocínio.


Qualquer que seja o isolamento social ele vai achatar a curva de transmissão, afinal é para isso que o isolamento serve. O tamanho do achatamento tem relação direta com o tempo de contágio. Mais achatado, mais tempo a sociedade sofrendo. Perceba que nos isolarmos não garante que o vírus suma, não garante que os grupos de risco não peguem e, pior, não garante que não exista contágio intra domiciliar.


Vira uma loteria, pois quantos mais dias as pessoas que tendem a adoecer gravemente estiverem em risco, maior a probabilidade de contrair a doença e usar a estrutura hospitalar.

Os engenheiros da minha família me mandaram uma análise de um deles logo no começo da pandemia: não importa o tamanho de uma comporta de uma represa, a água vai sair toda. A diferença é o tempo. Pois então, estamos com os isolamentos diminuindo o tamanho da curva/comporta e com isso prolongando o tempo que os curitibanos estão sendo expostos aos riscos de contágio.


Não vamos mais conseguir nos livrar do vírus (infelizmente! como queria que fôssemos a Islândia!). Lockdown de 70-80% da população só vai desafogar o sistema, mas não vai fazer desaparecer o c19. Ficaremos com toda a economia parada, todos os doentes crônicos maltratados, as doenças agudas graves com seu tratamento atrasado e sofrendo ainda mais com a pobreza generalizada que estamos nós mesmos criando com nossas decisões.


Parece-me muito óbvio que, se não temos mais como evitar o contágio e suas consequentes mortes, e se a recomendação do isolamento é única e exclusivamente para desafogo do sistema, aumentar as vagas de hospital / UTI é a saída mais inteligente.


As consequências negativas (mortes inclusive) de um lockdown serão absurdamente maiores por outras causas e, pior, não haveria queda dos casos em números absolutos.

Não se esqueçam que podemos todos sermos responsáveis em: 1) procurar médico nos sintomas iniciais da doença, com a finalidade de correto diagnóstico, discussão de tratamento e monitoramento; 2) evitar o máximo o contágio, uma vez com sintomas não sair mais de casa a não ser para consulta se não houver possibilidade de tele-atendimento ou se sintomas mais graves (febre alta persistente, falta de ar, piora do estado geral do idoso); 3) evitar ao máximo expor idosos e demais grupos suscetíveis ao risco do contágio (máscaras corretas, isolamento respiratório e higiene das mãos) e 4) não abandonar e nem forçar nossos idosos em ficar isolados da sociedade, de modo ignorante, como estamos vendo diariamente.


Dr Carlos Sperandio

Geriatria / Medicina Interna





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