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  • Carlos Sperandio

Idoso Confuso = Criança Febril

Atualizado: Fev 10

Muitos sabem que idosos não fazem febre.

O que não é dito é que a perda de performance, muitas vezes encarada como algo normal da idade, é sinal de alarme para o idoso tanto quanto a febre é para uma criança.

Precisamos difundir esse conhecimento. Idosos estão ficando sem diagnóstico e, sem dúvida em alguns casos, estão morrendo de causas tratáveis.

Se o seu familiar de idade modificou seu comportamento habitual, de maneira sustentada, não mais agindo com a funcionalidade do dia a dia, procure imediatamente por ajuda médica. Geriátrica se houver, melhor!

A febre na criança significa infecção na maioria absoluta dos casos. O médico busca, por meio do exame físico, o foco causador da doença. Pode ser ouvido, garganta, pneumonia, urina, pele ou meningite. Raros os casos que não recaem nessas etiologias, com exceção clara aos quadros virais. Aliás, virose - que as mães até desdenham dos meus esforçados colegas pediatras quando escutam deles esse diagnóstico - é o que dizemos ser quando não encontramos nada no exame físico. Se a criança está com bom estado geral - ou seja - come e dorme bem, passamos remédio para febre e orientamos monitorar a temperatura em casa.

Na outra ponta da linha da vida, os idosos são totalmente diferentes. Primeiro, eles raramente demonstram no exame físico onde está o problema. É necessário propedêutica armada, ou seja, exames complementares para chegar a um diagnóstico.

Embora as infecções sejam sim grandes causadoras de perda de performance nos idosos, existem várias outras etiologias que devem ser pesquisadas pelo médico assistente

A seguir uma lista de várias que eu já vi, incluindo as infecções: - infecção de urina - pneumonia - efeito colateral de remédio (que entrou ou que foi suspenso) - desidratação - diarréia - AVE - endocardite - distúrbio de sódio no sangue - distúrbio do cálcio no sangue - doenças da tireóide - fecaloma (fezes impactadas) - infecções de pele - inflamação da vesícula biliar (colecistite aguda) - falência da função dos rins - neoplasias - infecções periodontais - arritmias cardíacas - coração fraco - mudança de ambiente (saiu do local onde estava acostumado)

Essas causas estão muito relacionadas com o volume de reserva funcional do idoso. Quanto mais robusto (forte) ele for, mais grave tem que ser a doença para fazer ele perder performance. Por outro lado, quando muito frágil, basta sair de casa para se perder em relação à realidade. O descrito acima resume anos de prática geriátrica em pronto atendimentos e em internações.

Por isso a importância da orientação a todos os idosos e seus familiares que aqui me leem, sempre que houver alguma alteração comportamental, vale procurar seu geriatra de confiança. Tal qual sua mãe te levava no pediatra da confiança dela.

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