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  • Carlos Sperandio

Falência múltipla social

Desde 26julho2020 sem aparecer por aqui.

Maior motivo: sem tesão nenhum de bater o óbvio nessas teclas.

Preferi a arte de poesias (@drcarlossperandio e fb.com/carlos.sperandio.jr) e textos mais elaborados (google it: revista Iátrico número 37 - spoiler: número 38 no forno!).


Hoje, no entanto, dia da nossa padroeira, a criança dentro de mim se levantou e beliscou meu lobo frontal: vai Carlos, deixa de ser gauche na vida e mostra o que te angustia nessa janela que vc abriu para o mundo...


O c19 fez várias vítimas fatais, quase todos conhecemos ou até mesmo perdemos alguém perto de nós para o vírus. Mais ainda, todos vivemos as consequências de termos ficado isolados por tanto tempo. Esta era a história natural do vírus. O que restava à humanidade era bolar estratégias para conseguir diminuir as mazelas que essa guerra microbiológica traria. Conseguimos?


Definitivamente não. E ainda parece que não aprendemos com o que se passou até aqui.



Ilustração: Alireza Pakdel

Dois pontos óbvios de sustentação:


1 - O vírus mata mesmo. Só que como já vínhamos dizendo (posts anteriores aqui no blog), mata mais os susceptíveis e uma pequena parcela de pessoas com predisposição genética a ter o tipo grave da doença.


2 - A imunidade de rebanho existe. O vírus diminui sua circulação naturalmente, conforme a imunidade das pessoas vai se construindo.


As pessoas que decidiram nossas ações tornaram nossas vidas um inferno com esse negócio de cerceamento de ir e vir com a justificativa de que era necessário achatar a curva. Em nenhum momento, em Curitiba por exemplo, tivemos sobrecarga do sistema hospitalar. Em compensação, os casos graves sempre existiram. Qual foi a ação efetiva que se tomou em nível Brasil para diminuir a mortalidade?


Mais dois pontos óbvios:


3 - uma vez com transmissão comunitária de um vírus como esse em um país como o Brasil, game over. Jamais se consegue isolar os casos índices e tentar fazer estratégias chinesas de controle, forçando quarentena a todos mais testagem pré e pós viagem ao país. Talvez tivesse dado certo na época do Mandetta. Mas sequer foi pensado nisso.


4 - uma vez com transmissão comunitária de um vírus como esse em um país como o Brasil, quanto antes atingirmos a imunidade de rebanho, melhor. Para isso, teríamos que ter instituído uma estratégia decente de isolamento respiratório para os grupos de risco e oferecer suporte hospitalar em número e qualidade suficientes para aqueles expostos fora dos grupos de risco, mas com predisposição para doença grave. Teria sido uma estratégia sueca melhorada.


Hoje temos máscaras realmente úteis para prevenção de contágio - pff2 e N95. Estão muito mais baratas que no início da pandemia. Operações educativas de uso correto e distribuição em nível populacional ainda hoje modificariam desfechos e salvariam vidas. E, claramente, afrouxam-se as medidas de restrição.


Anyway, as coisas estão caminhando para um laissez-faire nervoso, de riso amarelo, em que as pessoas se perguntam como assim a pandemia acabou e não me avisaram???

Triste essa pandemia e suas consequências. Tenho consciência leve. Cheguei a ligar no gabinete do Prefeito para tentar falar com ele em abril: ao meu ver o isolamento deveria ter sido sempre respiratório. E ainda continua sendo. Dá tempo!


Uma pena termos perdido tantas vidas. Várias delas por erro de prevenção de contágio.


Pena maior é termos afundado o país numa recessão absurdamente abismal - em meio à crise político-social sem fim que vivemos - sem ter conseguido sequer ter tratado o assunto c19 com a importância que deveria!


Culpados? Todos.

Sem exceção. Infelizmente.

Não conseguimos; causa mortis: falência múltipla social.

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