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  • Carlos Sperandio

Coronavírus - o vírus do medo!

Afinal, estamos condenados? A história e a medicina dizem que não. É necessário manter a calma e os bons costumes de higiene - quem viveu o H1N1 deve se lembrar - lavar sempre as mãos e, se estiver com o combo gripe + retorno da China recente, fazer quarentena domiciliar após avaliação médica especializada!

Se tem um cara que tem uma visão bastante genuína sobre vacinas e epidemias é o Dr Juan Gérvas, médico espanhol clínico geral, professor, e pesquisador nos cuidados de saúde primários e saúde pública.


Em um artigo bastante interessante ele oferece uma perspectiva do coronavírus Wuhan e nos conta quais são as medidas preventivas para evitá-lo, tentando dar um ponto de apoio no meio do tsunami de pânico que estamos vivendo.


Tomo a liberdade de postar uma versão em português do original que você encontra aqui.


O coronavírus Wuhan vem de animais

Existe apenas uma saúde, e o mundo é único para os vírus, bactérias e fungos que nos infectam. "Uma única saúde" agrupa o estudo e a resposta aos problemas de saúde humana, levando em consideração os problemas da flora e fauna (animais domésticos e selvagens) e o meio ambiente. Essa visão global é essencial para entender a complexa interação dos seres humanos com seu ambiente natural e com o modificado pela própria atividade humana.


O foco inicial do surto na cidade de Wuhan (China) estava localizado no mercado central de frutos do mar, onde também eram vendidos animais silvestres (venda legal e ilegal). Existem coronavírus em muitos mamíferos, de morcegos a cães e humanos. São coronavírus, por exemplo, alguns dos vírus do resfriado comum, que não têm importância.

O coronavírus de Wuhan se espalha como resfriados, mas não parece tão fácil. Produz uma condição catarral semelhante à gripe e, em alguns casos, pneumonia grave que leva à morte, especialmente em pacientes com doenças subjacentes importantes (por exemplo, câncer com metástase).


A taxa de mortalidade é de 3% (3 em cada 100 pessoas infectadas morrem). Existem outros coronavírus que produzem quadros clínicos semelhantes aos de Wuhan.

Em geral, as quarentenas obrigatórias não têm base científica nesses casos.

Os coronavírus existem há milhares de anos, mas no século XXI surgiram novos, não apenas os de Wuhan, sempre com pneumonia e outras complicações que levam à morte em alguns casos.



Fonte: https://elpais.com/elpais/2020/01/27/opinion/1580144423_754789.html


Antes, em 2002-3, tivemos o surto de síndrome respiratória aguda grave, conhecido por sua sigla SARS (síndrome respiratória aguda grave). Sua taxa de mortalidade foi de 11%.

Em 2012, tivemos o surto da síndrome respiratória do Oriente Médio, conhecida por sua sigla em inglês MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio). Sua taxa de mortalidade foi de 36%.


Como os surtos anteriores foram controlados pelo coronavírus?

O caso mais bem estudado é o da SARS, em que cerca de 8.000 casos foram diagnosticados em um total de 30 países. O fundamental foi o pronto diagnóstico e isolamento dos pacientes nos hospitais e os contatos em suas casas (quarentena voluntária). No hospital, a propagação do vírus foi evitada com as medidas higiênicas usuais. O tratamento foi favorável, com antibióticos para complicações bacterianas.


A quarentena obrigatória é útil?

Na China, está sendo feita uma tentativa de controlar o surto em Wuhan e arredores com a quarentena obrigatória de milhões de pessoas, através do "fechamento" de várias cidades, cortando conexões por via aérea e terrestre. Essa quarentena obrigatória é uma expressão, ao mesmo tempo, de um estado ditatorial e de um sistema de saúde fraco, principalmente no que se refere ao controle de doenças infecciosas. Em geral, as quarentenas obrigatórias não têm base científica nesses casos.


O controle nos aeroportos é útil para alguma coisa?

A experiência mostra que os controles de temperatura são inúteis nos aeroportos, especialmente a "triagem" (triagem) nos aeroportos de chegada (se fosse para fazer algo, melhor seria uma avaliação nos aeroportos de partida do país afetado).

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O que fazer então para a própria proteção e a dos outros?
Ainda não há vacina ou tratamento específico para o coronavírus de Wuhan, mas a situação é muito melhor do que no surto de SARS, devido à menor taxa de mortalidade (3 vs.11%).

Foi bem resumido pelo Ministério da Saúde da Espanha (também CDC dos Estados Unidos):


“Medidas genéricas de proteção individual contra doenças respiratórias incluem a higiene frequente das mãos (lavagem com sabão e água ou soluções alcoólicas), especialmente após o contato direto com pessoas doentes ou seus arredores; evite contato próximo com pessoas que apresentem sinais de problemas respiratórios, como tosse ou espirro; manter uma distância de aproximadamente um metro com pessoas com sintomas de infecção respiratória aguda; cubra a boca e o nariz com lenços ou pano quando tossir ou espirrar e lavar as mãos. Você não precisa tomar precauções especiais com animais na Espanha ou com alimentos, para evitar esta infecção.”


Em síntese:


Os coronavírus estão conosco há milhares de anos e estamos preparados para superar suas infecções. Se você viajou para Wuhan (China) ou teve contato próximo com quem já viajou para lá e apresenta sintomas catarrais graves com dificuldade respiratória, consulte seu médico, especialmente se tiver alguma doença subjacente.


Em todos os outros casos, evite uma epidemia de pânico, seja cauteloso.
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