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Combate ao coronavírus - será que estamos fazendo certo?


Crédito - PlenoNews


Meu nome é Carlos Sperandio e sou médico geriatra, também especialista em clínica médica e medicina de família. Tenho mestrado em Engenharia Biomédica. Estou estudando coronavírus desde o primeiro caso chinês, como vocês podem ver aqui - www.carlossperandio.com/coronavírus .


Hoje, finalmente minha ansiedade diminuiu, diria até que zerou. Acredito ter entendido o que chamamos na Medicina de “pânico coletivo”. Vamos aos fatos, por favor entendam que essa é uma opinião pessoal, que tento validar em cima de dados oficiais.

NÚMERO DE CASOS NO BRASIL


Não há nenhuma possibilidade de sabermos exatamente o número de casos que temos no país hoje - 21/03/2020. Simplesmente porque muitos casos têm pouquíssimos sintomas e não temos disponibilidade de testes para todos que deveriam ser submetidos. Logo, o número de casos no Brasil é totalmente inverídico. Esqueçam esse parâmetro.


CASOS GRAVES


O número de mortes, por outro lado, é dado de muita validade, pois teoricamente todos os casos mais graves vêm sendo testados. Mesmo os que morreram de Covid-19 e não tiveram esse diagnóstico aventado, provavelmente eram pacientes de muita idade ou portadores de muita doença associada, haja vista que a própria influenza, pneumonias bacterianas, embolia pulmonar e até mesmo a insuficiência cardíaca podem confundir o diagnóstico. Fato que essas doenças só ocorrem de forma fatal em pacientes muito doentes.


Desta forma, estou ansioso para acompanhar os dados epidemiológicos destas mortes no Brasil, porque com certeza eles seguirão o perfil de mortalidade que estamos vendo em todo o mundo.


Digo isso após ter feito o insight que não estamos vendo nos jornais. A doença é muito corriqueira para os sãos e extremamente mortal para os doentes e mais idosos.

QUEM MORRE


Os números mundiais e que, com certeza pela característica fisiopatológica do novo coronavírus, se repetirão no Brasil são os seguintes:


Atentem para um detalhe importante aqui constam somente os casos testados, ou seja, os doentes graves que procuraram auxílio ou que estavam monitorados no início da epidemia em cada local - a absoluta maioria dos países não conseguiu testar todos os portadores da doença por não conseguirem acompanhar a taxa de transmissão comunitária.



Muitas informações relevantes desses números!


A questão chave é - devemos isolar nossos idosos do resto da população sim! São eles quem morrem e são eles que causam a quebra do sistema de saúde, pois adoecem de forma mais grave.

PORQUE OS IDOSOS MORREM E AS CRIANÇAS NÃO


Entender isso torna tudo muito mais claro. O novo coronavírus só mata quem não tem as defesas imunológicas competentes. Os idosos - pelo envelhecimento - vão gradativamente perdendo a força de suas linhas de defesa num fenômeno que chamamos de imunosenescência. Ou seja, mesmo os idosos com nenhuma doença têm risco de contrair doença mais grave por se encontrarem imunossuprimidos fisiologicamente. Já os não tão idosos, que têm comprometimento dos órgãos essenciais coração, pulmão e rins, não se apresentam em condições ideais para ganhar a batalha contra o vírus.


Para as crianças, principalmente as menores de 10 anos, o coronavírus - até agora! - é tão grave quanto chupar um pirulito no parque.


ESTRATÉGIAS


A péssima experiência da Itália moldou toda a estratégia de combate à transmissão do coronavírus nos países que apresentaram transmissão a partir de indivíduos que vieram de lá. Como a doença no país da bota se espalhou rapidamente, sem o “achatamento da curva” que todos ficamos familiarizados nesses últimos dias, as consequências foram não só catastróficas em termos de indisponibilidade de leitos de UTI, como também trouxeram a histeria e o pânico em todo o mundo.


Após entender o que estava acontecendo, os italianos iniciaram a quarentena obrigatória. Com isso, finalmente frearam as taxas de transmissão, reduzindo os casos entre os idosos - que novamente destaco - são o grupo que mais consome recursos e apresenta a maior mortalidade.

Os demais países foram na onda italiana. O Brasil e os EUA ainda de modo regional e Portugal e Espanha, nacionalmente, fecharam fronteiras e reduziram as pessoas nas ruas, parando a economia e estimulando ainda mais o pânico generalizado.


PENSANDO FORA DA CAIXA


Na minha humilde opinião, estamos incorrendo em um erro fundamental ao isolarmos todos os possíveis casos de Covid-19 em qualquer idade. Vamos aos fatos:


1- menores de 40 anos têm risco irrisório de desenvolver doença grave e provavelmente não desenvolvem sequer sintomas que afetem desenvolvimento no trabalho;


2- pessoas menores de 50 anos e que não tenham doença cardiovascular, diabetes, pressão alta ou doença respiratória não deveriam se afastar de suas atividades;


3- pessoas maiores de 60 anos e aquelas de qualquer idade que tenham doença cardiovascular, diabetes, pressão alta ou doença respiratória devem ser isoladas compulsoriamente;


4- para que se consiga validar essa estratégia, o passo principal é a aquisição de kits para diagnóstico correto e rápido da população;


5- uma estratégia a ser considerada seria a distribuição e orientação para correto uso de máscaras N-95 para os grupos de risco, além da correta e a partir de agora eterna higienização das mãos e etiqueta da tosse e do cumprimento social;


Tais medidas teriam o prazo de serem estipuladas até termos o “efeito manada” - cerca de 50% dos indivíduos da sociedade imunizados - nesse caso pela doença.


Não pararíamos o país como estamos vendo ser feito. O “achatamento da curva” prosseguiria com o isolamento das populações realmente de risco a se tornarem utilizadores dos limitados recursos dos nossos sistemas de saúde, evitando assim seu colapso. E estaríamos com a curva de imunização pela doença em pico, como deveria ser.


Ao achatarmos a curva de imunização pela doença dos indivíduos sadios estamos incorrendo no erro fatal - colapso da economia, pânico generalizado com consequências imprevisíveis em psicopatias e afins e a insegurança de não sabermos o fim do problema.

QUEM MAIS PENSA ASSIM


Vídeo do Ministro da Defesa de Israel - Naftali Bennett - demonstrando que a principal estratégia para que o efeito rebanho dê certo - o correto isolamento dos grupos de risco!




O Primeiro Ministro britânico - Boris Johnson, por sua vez, até tentou implementar a imunização pela doença em massa no Reino Unido, mas pecou em não isolar os grupos de risco, fato esse extremamente criticado e posteriormente comprovado como erro fatal por modelos matemáticos naquele país.


O QUE FAZER


Devemos insistir com nossas lideranças que a hora é de sermos inteligentes. A doença Covid-19 assusta mais do que realmente é em 85% dos casos.


Cabe aos formadores de opinião, inclusive os médicos como eu, demonstrar que o medo é infundado. Precisamos parar com a histeria coletiva. É necessário rever a estratégia de paralisação da economia com fundamentação científica parcial.

Isolemos somente os grupos de risco. Todos os outros cidadãos devem continuar suas vidas com o objetivo de manter a roda girando.


Haverá vidas perdidas sim, pois demoramos a isolar os grupos de risco. Mas, mesmo que tivéssemos sido impecáveis, as viroses respiratórias (corona, influenza e afins) matam idosos aos milhares todos os anos! Nunca é tarde rever a estratégia. Nós não somos e não precisamos ser a Itália. Controlemos nosso medo, arregacemos nossas mangas e vamos impedir que o Brasil se curve ao medo dessa coronavirose!

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