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  • Carlos Sperandio

Ansiedade coletiva na pandemia!

O coronavírus viralizou a ansiedade. Depois do covid, o que mais tenho atendido nessa última semana é estresse, angústia, pânico. Surpreendeu-me se tratar de pessoas que usualmente apresentam alta resiliência. O tsunami C-19, somado a nossa inabilidade em lidar como sociedade com o problema de transmissibilidade e sobrecarga do sistema, abriu lacunas emocionais em vários de nós. Alguns sentiram o baque. Preocupadíssimos com seus entes queridos, muitas vezes mais do que com eles próprios, demonstram psicossomaticamente seu desespero. Dores no peito, apertos na garganta, perda de apetite e sono, sudorese noturna e choro, muito choro, são os principais sintomas dessa síndrome.


Obviamente, como tudo na nossa vida, essa pandemia irá passar. Não saber quando é o que dilacera nossas emoções. Além, claro, de estarmos passando nesse momento pela pior fase de todas. Quem está comandando a nossa nau infelizmente não nos passa a confiança necessária para que permaneçamos sentados e com o cinto de segurança afivelado. A turbulência faz com que qualquer um que entenda o que está acontecendo no voo questione tudo à sua volta. O que engloba a si mesmo. E é aí que começam os sintomas. Afinal, quando o problema é maior do que a gente fica impossível mantermos o controle.


Nós, profissionais da área da saúde, estamos bebendo e chorando mais do que nunca. Também estamos procurando auxílio em medicações ansiolíticas. Eu, sem minha terapia no exercício físico, preciso me controlar muito para não virar um grande monstro - o que não ajuda muito quando lido com a humanidade à minha volta - em geral 20 a 30 cm mais baixa e com 30 a 40 quilos a menos. Dá-lhe meditação antes, no meio e após os turnos. Ainda estou somente com um cálice de vinho às noites, mas se demorar para sairmos dessa espiral garanto que a psiquiatria ganhará mais um cliente e meu terapeuta sessões extras, melhor medicado e acompanhado do que cirrótico e desiludido.


Brincadeiras à parte, busquemos acompanhamento sempre que necessário. Redes de apoio são sempre a primeira barreira de segurança. Amigos e familiares com espiritualidade elevada podem servir como grande ombro para suporte nesses dias difíceis. Uma eventual consulta médica ou psicológica têm muito valor quando bem realizadas. Não tratar algo agudo agora pode virar um padrão e ter repercussão para todo o resto da vida.

Estou sobrecarregado. Felizmente, de problemas que sei solucionar. O momento é de estendermos a mão e auxiliarmos o máximo de pessoas possível a entender o que é a doença, como evitá-la, como tratá-la e como se manter estáveis emocionalmente. Forte recomendação para que falemos sobre isso. Colocar para fora impede ruminações patogênicas. Em frente!


Carlos Sperandio Geriatra 14 de março 2021


PS - buscando a internet atrás de uma figura que ilustrasse meu texto de imediato pensei n'O Grito de Edvard Munch. O que eu não poderia imaginar é que a energia me levou a essa charge publicada numa matéria do meu amigo Hernani Vieira na Revista Iátrico do CRMPR em 2012. Revista que hoje tenho a gigantesca honra de fazer parte do Conselho Editorial! Ô Dona Energia, assim você me quebra!!!



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